sábado, 25 de dezembro de 2010


Eu achei que eram viagens com um regresso marcado.

Eu achei que esta áfrica - e as outras que aconteceram na minha vida - iam ser intervalos roubados ao tempo, nos quais eu podia pedir uma pausa à vida, onde me podia resgatar dos dias, fazendo um esforço por não me esquecer e por não esquecer os meus sonhos. E que eu própria me esperaria, eterna, imutável, no regresso a casa.

Mas eu trouxe a terra debaixo das unhas, colada aos sapatos, - mais profunda do que a pele, como quem mastiga a areia trazida pelo vento do deserto. E deixei-me lá, como era óbvio, previsível, inevitável. E, surpreendentemente, fiquei surpreendida.

Quatro anos depois de eu ter percebido que as minhas botas tinham sido feitas para caminhar - e de lhes ter dado o caminho que nessa altura elas precisavam -, percebi que a pessoa que tinha deixado atrás de mim nunca foi a pessoa que encontrei no regresso.

De cada vez, trouxe um parte nova de mim e deixei outras tantas para trás;
e fiquei
- não sei desde quando, nem até quando -
nesse caminho que ficou em mim.